Cobertura Especial

Sandbox Regulatório: duas insurtechs selecionadas tiveram a consultoria da Partenariat

 

“São pessoas que querem democratizar a indústria de seguros, virarem ela de cabeça para baixo e são inconformadas com o status quo”, diz Luís Cozac 

Por Karin Fuchs

Luís Cozac

No início de outubro, de um total de 14 projetos, a Susep divulgou a lista das 11 insurtechs selecionadas para participar do Sandbox Regulatório. Duas delas, a 88i e a Emotion Seguros, tiveram a consultoria da Partenariat. “A 88i foi fundada em uma tese de mobilidade e a Emotion Seguros vem com uma proposta interessante, com um serviço inovador na área de acidentes pessoais”, informa Luís Cozac, sócio da Partenariat.

Ele explica que a 88i busca satisfazer as necessidades do consumidor nos diversos modais envolvidos no transporte urbano. E mais do que intermitência, oferecer experiência. “Todas as experiências aqui e lá fora já mostraram que toda vez que o segurado tem que avisar quando quer ou não a cobertura, isso não é uma experiência fluida para ele”.

O ideal, diz Cozac, é o consumidor nem precisar pensar, mas apenas para se inscrever para utilizá-lo. “Como é o caso da 88i. Basta ele fazer a utilização corriqueira que o seguro vai ser acionado e desacionado, através das informações por celular”.

Atuação 

A Partenariat é uma empresa de consultoria com oito sócios, que atua no mercado segurador em todas as etapas. “Diferentemente das grandes consultorias, quem põe a mão na massa somos nós, os sócios, e cada um deles é especializado em uma área. Nós participamos dos detalhes em cada etapa do projeto. Atendemos seguradoras, resseguradoras, brokers, corretoras, empresas de assistência e, eventualmente, clientes segurados que têm alguma ligação com o mundo dos seguros”.

Na prática, a consultoria da Partenariat cobre desde a entrada da empresa no mercado (estratégia, mapeamento das possibilidades), assessoria na construção da organização e na montagem da empresa, notas técnicas de produtos e precificação, quando necessárias, roupagem mercadológica, operações, sistemas e, ainda, ajuda na recolocação de executivos no mercado.

Em especial da experiência com a 88i e com a Emotion Seguros, Cozac comenta que o mais bacana foi trabalhar em um projeto de A a Z, envolvendo todos os sócios. “Quando o cliente nos contrata é para algo específico. Para esses, nós tivemos que fazê-los de A a Z, porque o dossiê da Susep precisava ser muito amplo. Todos os sócios trabalharam simultaneamente em todos os elementos, que trabalhávamos de forma separada. O dossiê do sandbox aborda todos os elementos que nós trabalhamos na Partenariat”.

Para conseguirem a aprovação, a Partenariat trabalhou com os empresários da 88i e da Emotion Seguros os seguintes pilares para construírem o plano de negócios: objetivos estratégicos, entendimento do mercado, missão e visão tecnologia e panorama operacional, incluindo arquitetura, segurança e prova de conceito, aspectos societários, plano de negócios, concepção e precificação dos produtos e serviços, projeções financeiras e evolução patrimonial, governança, estrutura organizacional, riscos e plano de execução de projeto (pré e pós autorização).

Execução 

O próximo passo é eles acompanharem a fase de execução. “Depois da aprovação, as empresas têm 45 dias para submeterem à Susep os atos societários que darão forma jurídica às empresas criadas ou modificadas com a licença de serem seguradoras. Ainda neste ano, começaremos a ver a fase de execução acontecer, claro que o forte acontecerá a partir de 2021. Vamos acompanhar com muita atenção e com muito carinho, pois nós também nos envolvemos com os projetos e continuaremos a colaborar. Há muito a ser feito. As grandes também vão querer mostrar um poder de reação, então, o ano de 2021 será muito interessante nesse sentido”.

Diferencias 

Da experiência que eles tiveram com a 88i e com a Emotion Seguros, Cozac diz que são vários diferenciais que ele poderia comentar, como o uso intensivo da tecnologia, na contratação, na prestação de serviço, nos produtos inovadores e no custo para o consumidor que será muito competitivo.

“Diferentemente das grandes empresas que têm o legado antigo de sistemas e precisa de muita gente, pelo ambiente de tecnologia das startups há uma economia na despesa administrativa e tem uma parte de economia na intermediação, isso se reflete em um preço mais adequado para o consumidor, o que é outro grande benefício”.

Também das duas empresas que eles fizeram consultoria, o que mais lhe chamou a atenção foi a garra, a inovação, a pegada dos fundadores e empresários que estão por trás dessas iniciativas. “O que eu imagino que também possa ser dito das demais que foram aprovadas. São pessoas que querem democratizar a indústria de seguros, virarem ela de cabeça para baixo, e são inconformadas com o status quo. É provável que um ou outro produto não vá tão bem quanto o previsto, mas é essa a postura que também precisa ser disseminada e aplaudida, pois é isso o que o mercado precisa”.

Ponto de vista 

Cozac conta que o sandbox não é uma inovação brasileira. Ele começou em 2016, na Inglaterra. Hoje, 20 países no mundo estão em alguma fase desse processo. “Nós temos que louvar a iniciativa da Susep,  inclusive, ela já está em uma fase mais avançada que seus pares reguladores, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central. Temos que reconhecer esse esforço e essa realização em um país com tantos problemas e dificuldades nas autarquias. É uma vitória da Susep, do mercado e do país”.

Pra finalizar, ele diz que a iniciativa é muito importante, pois o objetivo do regulador é promover e fomentar a inovação. “E nós sabemos que o nosso mercado é concentrado, dominado pelas grandes seguradoras ligadas a bancos, com uma ou outra exceção. Todos dizem que estão buscando e praticando inovação, mas em um grau que não tem uma alteração na forma de se relacionar com os consumidores, não propicia verdadeiramente novidades e facilidades. O movimento do sandbox vem nessa direção”.

 

 

 

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